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Actualmente o panorama das edições e venda de cromos de futebol em Portugal está condenado aos malefícios de um monopólio detido pela multinacional Panini. Mercê de um acordo iniciado nos anos 90 com o sindicato dos futebolistas, as inúmeras editoras portuguesas existentes até então (Agência Portuguesa de Revistas, Mabilgráfica, Manil, Clube do Cromo, Francisco Más, Sorcácius, Acrópole, António G. Silva, etc) , com forte actividade sobretudo nos anos 70/80, acabaram por se extinguir pelo que os coleccionadores de cromos têm que se confirmar agora com uma edição anual, para além das referentes à competição UEFA - Champions League e às do Euro e Mundial, de dois em dois anos. A riqueza da diversidade foi arrumada, valendo apenas algumas intromissões dos jornais desportivos, mas sempre com outros formatos e quase sempre restringidos aos "três grandes" (Benfica, Sporting e FC Porto).

Felizmente, para o legado do coleccionismo de cromos no nosso país, nem sempre foi assim pelo que dos anos 90 para baixo existem muitas edições, produzidas por também múltiplas editoras. É certo que nem sempre com padrões de qualidade e de formato, mas os meios gráficos também eram outros que não hoje. Contudo, mesmo assim, são objectos de culto que qualquer collecionador gosta de possuir e admirar.

Entre o leque amplo de cadernetas de cromos de futebol, as clássicas cadernetas de cromos de caramelos, são hoje objectos de apreciada estima, tão procurados quanto raros. Publicaram-se regularmente até ao início dos anos 70, quase sempre associadas a fábricas ou casas de confeitaria (Universal, Francesa, Victória, Altesa), já que os cromos eram distribuídos na forma de embrulho de rebuçados de caramelos. Esta prática extinguiu-se com o aparecimento dos cromos surpresa, dentro de saquetas e mais tarde pelos cromos auto-colantes, como sucede ainda hoje.

As cadernetas de cromos de caramelos são raras pelo óbvio factor da sua antiguidade (predominância nos anos 50 e 60) e ainda porque as mesmas depois de completas eram devolvidas no ponto de venda a troco de um brinde, normalmente uma bola de borracha. Esta prática, muito comum nas edições de caramelos, tornou-se assim num factor de raridade. As poucas que existem são quase sempre incompletas, faltando principalmente o chamado cromo carimbado, que dava franquia ao recebimento do prémio. Por outro lado, os tempos eram outros, e mesmo custando tostões, os cromos eram um artigo a que nem todas as crianças conseguiam chegar, para além da dificuldade de distribuição fora das cidades e vilas. Hoje de facto são raras e valiosas, mas mesmo assim demasiado inflacionadas pelo interesse despertado e divulgado ao nível da Internet. No meio de todo este interesse de coleccionadores, há também muitos oportunistas e gente pouco séria, não hesitando em veder "gato por lebre", recorrendo a fotocópias a laser, enganando os menos conhecedores (...)

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Infelizmente, a componente de cultura geral, muito forte nos anos 60 e 70, acabou há muito nos cromos e actualmente a temática das edições da Panini e da inglesa Merlin, são basicamente do mundo do espectáculo, do cinema e dos filmes de animação e séries da TV, muito mediáticas mas pouco ou nada instrutivas.

Sinais dos tempos e tendências.

fonte do artigo: http://santa-nostalgia.blogspot.com/